Notícia :: Resenha

Só deu bamba no samba

Por: Aloizio Jordão

Nos últimos dias 19 e 20 de fevereiro, no Teatro Rival Petrobras, no Rio de Janeiro, dividiram o mesmo palco, pela primeira vez, três cantores que podemos dizer tranquilamente que representam uma nova e promissora geração do samba carioca, são eles: Marcos Sacramento, Moyseis Marques e Pedro Miranda.

Marcos Sacramento, cantor compositor, começou a carreira como vocalista de uma banda de pop/rock nos anos 80, mas logo se entregou ao encantamento do samba. Já tem uma ótima discografia e, tendo vários trabalhos reeditados pela gravadora Biscoito Fino, lança seu mais novo CD, NA CABEÇA, que está sendo muito comemorado pela crítica e pelo público. Além dos seus CDs solos, Sacramento faz parte de vários outros, como convidado.

Sacramento faz uma música sofisticada, e suas releituras têm um cuidado muito especial, garantindo assim toda a qualidade do trabalho deste grande artista.

Moyseis Marques, cantor, compositor, começou a carreira em grupos de forró, mas quando descobriu o samba, se firmou como um intérprete versátil, o que lhe rendeu o palco do Carioca da Gema, uma das casas mais tradicionais da Lapa revigorada. Moyseis lança seu primeiro CD, que leva o seu nome. Ele interpreta de Jackson do Pandeiro a Luiz Carlos da Vila. Moyseis é uma grande revelação do samba carioca, um cantor que começou com o pé direito e a passos largos vai conquistando seu público.

Pedro Miranda, percussionista e cantor, faz parte da geração que ajudou a revigorar a Lapa. Pedro começou a ser percebido já na época que em que fazia parte do grupo Semente, que também iria revelar a cantora Tereza Cristina. Pedro também está à frente de vários projetos que envolvem o samba e participa de vários CDs, sem contar que organiza o festejado bloco de rua do Rio de Janeiro “Cordão do Boitatá“.
Seus CDs “Coisa com Coisa” e “Pimenteira” receberam ótimas críticas e vários elogios, inclusive de ninguém menos que Caetano Veloso.

Enfim, numa sexta-feira de cinzas, como o próprio Marcos Sacramento colocou, ninguém fazia idéia de que, muito ao contrário, o trio de bambas estava ali para celebrar o samba e a boa música, cada um podendo mostrar individualmente ao que e para que veio. E, quando estavam em dupla ou em trio, a coisa esquentava pra valer.
Acompanhados por uma turma da pesada, os Bambas do samba se completaram no mesmo espaço e quem adorou tudo isso foi o público, que cantou, aplaudiu e pediu bis.

Destaque especialíssimo para a produção muito bem cuidada de Maria Braga. O Alô Música foi pra conferir, gostou e recomenda, esperamos em breve poder entrevistá-los individualmente para que possamos conhecê-los um pouco mais.

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