Entrevista

Solange Castro

Por: Tânia Gabrielli-Pohlmann

"Die deutsche Version dieses Interviews ist zu lesen unter www.brasilienportal.ch"

A versão alemã desta entrevista encontra-se em www.brasilienportal.ch

UM ALÔ À MÚSICA BRASILEIRA EM TODO O MUNDO:

SOLANGE CASTRO ABRE ESPAÇO PARA UM DESFILE EXUBERANTE

À NOSSA MÚSICA

Saber das novidades, lançamentos, shows, artistas, produtores, selos. Para pesquisas sobre cantores, músicos, artistas do mundo musical brasileiro, basta um clique e lá está tudo: no PORTAL ALÔ MÚSICA!

Mas isto não é tudo que o Portal oferece. Tem, ainda, a simpatia de Solange Castro que, a qualquer hora, está sempre a postos para informar, unir pensamentos e tendências, sob um critério impecável de quem também de impecável caráter é.

Tânia Gabrielli-Pohlmann - Alô, Solange! Eh, eh... Agora os papéis se invertem e é você quem vai ter de contar um pouco a seu respeito...

Solange Castro - Tânia, para mim é uma honra ser entrevistada por você...

Tânia Gabrielli-Pohlmann - Como surgiu a idéia de um portal tão bem estruturado sobre a nossa música?

Solange Castro - Sou produtora de eventos desde 1987 e conhecia bem de perto os problemas da profissão. Moro no Rio de Janeiro e sempre que precisava fazer algum evento fora daqui tinha que me virar para conseguir o necessário para a produção como palco, equipamentos de sonorização e iluminação, efeitos especiais, estúdios para ensaios, enfim...

Em 1999/2000 comecei a ouvir falar muito em MP3 e pensava: "se cabe uma música, tem que caber os endereços que tanto precisamos e não encontramos em lugar algum..." E foi assim que tudo começou... Passei quase um ano fazendo pesquisas de endereços de artistas, compositores, produtores, instrumentistas e, na parte de serviços, desde afinadores de piano, palco, som, luz, estúdios, gráficas, selos e gravadoras, etc.

Entramos no ar em 2001 com 3.800 informações e hoje somamos mais de 18.000 - é o maior banco de dados da produção musical brasileira...

Tânia Gabrielli-Pohlmann - E qual o critério para a divulgação de CDs? Você divulga o que não ouve? Pergunto isto, porque muita gente reclama ter-me enviado releases, sem que eu fizesse a divulgação?

Solange Castro - Em hipótese alguma - recebemos muitos discos mensalmente e nem todos ganham espaço, o que não quer dizer que não tenham qualidade, mas muitas vezes é questão de espaço. Mas divulgar uma obra sem ter ouvido, impossível - temos responsabilidade com o que fazemos...

Tânia Gabrielli-Pohlmann - Como é que você consegue administrar o Alô, os eventos que promove e, ainda, dar tanta atenção a todos que lhe escrevem? Quando é que você dorme ???

Solange Castro - Rs... Olha, Tânia, não sei... O Alô tem cerca de 2000 visitas/dia, e não temos ainda divulgação fora do meio musical. Isso quer dizer que nossos usuários são músicos, compositores, produtores, agentes, intelectuais, jornalistas, acessores de imprensa, críticos, enfim, o “universo musical brasileiro”, e esse público, como você bem sabe, é muito exigente... Manter o Alô à altura desse meu público é "pauleira", mas não reclamo, adoro trabalhar...

Tânia Gabrielli-Pohlmann - E os músicos, eles que também têm espaço no Alô, têm sido requisitados para shows a partir do Alô?

Solange Castro - Não posso citar nomes, mas esses dias mesmo fiz divulgação de um lançamento que retornaram pedindo orçamento para shows... Dá retorno sim -de qualquer forma, não acho que isso seja o principal. A maior vantagem de se anunciar no Alô é estar em evidência perante o mercado "ninguém toma coca-cola" na hora que assiste o anúncio, mas, quando se tem sede ou se procura um líquido para acompanhar uma refeição ou um lanche, é o primeiro refrigerante que vem à cabeça da maioria...

Além disso, como somos o único portal de "produção musical" e por termos uma linha editorial muito séria, viramos "referência". Sendo assim, divulgar um trabalho no Alô é considerado uma indicação...

Tânia Gabrielli-Pohlmann - Já ouvi, por várias vezes, que o brasileiro não gosta de ler e mais, que não gosta de música instrumental. Você também acredita nisto, ou reconhece que o povo brasileiro simplesmente não tem acesso à leitura e à música instrumental?

Solange Castro - Quanto à leitura, sinceramente não concordo - canso de entrar em livrarias e elas estarem lotadas. Não vou dizer que seja para todos, pois cultura é "supérfulo" para a maioria que precisa economizar até no ônibus para colocar arroz na mesa, e esses são a esmagadora maioria. Mas nas classes B e A, literatura faz parte do cotidiano...

Quanto à música instrumental já acho uma maldade - as rádios tocam o que as grandes gravadoras mandam tocar, o "jabá"é descarado... E, claro, a música instrumental some do cenário, não sendo apresentada à população - e isso é um direito do povo, já que as concessões são públicas, não era para as “majors” tomarem conta como fizeram... E aí, claro, a música instrumental virou "artigo de luxo", só sendo conhecida mesmo por aqueles que têm condições de comprar um bom disco...

Só para você ter uma noção, chegaram aqui nos últimos tempos "Pixinguinha + Benedito", de Mário Sève e David Ganc; "Boas Novas" de Alex Rocha; "Don Quixote" de Willians Pereira; "Canção do Sol Nascente" de Camilo Carrara; 'Diz que fui por aí' de Gabriel Grossi; "Sacopenapã" do "No olho da rua"; "Tigres da Lapa', com Marcos Ariel; 'Jubileu' de Kim Ribeiro; "Lounjazz", de Leo Gandelman, "Léa Freire & Bocato'... Olha, são tantas obras maravilhosas que você nem imagina - temos Selos como o "Delira Música', "Maritaca", etc. que têm obras maravilhosas - pena que tanta arte e talento não chegue ao nosso povo...

Tânia Gabrielli-Pohlmann - Qual o seu critério de seleção, ao receber um CD, por exemplo?

Solange Castro - As três primeiras notas...

Tânia Gabrielli-Pohlmann - Qual o índice de visitas ao Portal?

Solange Castro - 2.000/dia, mas vai dar novo impulso - estou sem fazer qualquer tipo de divulgação já faz um tempo, justo para testar... Nos próximos dias vou soltar divulgação e creio que essa média suba para 2.500/dia...

Tânia Gabrielli-Pohlmann - O Alô Música tem um público muito grande, também, no exterior. Como você desenvolve este trabalho de contatos no exterior?

Solange Castro - No início foi um trabalho braçal - passei uns seis meses fazendo cadastros em todos os portais e sites de busca que consegui no mundo inteiro – somos cadastrados até no Azerbaijão... Onde se procura "música brasileira" ou "brazilian music" vão encontrar o Alô... Depois foi fazendo contatos com sites de música e de produção musical pelo mundo... Como o site é sério e tem um editorial forte, começamos a ser procurados por artistas e intelectuais do mundo inteiro... Depois foi no 'boca-a-boca"... Sou produtora e conheço muitos produtores, músicos e prestadores de serviços. Como já escrevi acima, não temos ainda uma divulgação para o público leigo, mas somos bastante conhecidos no meio musical, tanto aqui no Brasil como em muitos lugares pelo mundo...

Tânia Gabrielli-Pohlmann - Também os selos internacionais, que promovem música brasileira, e produzem CDs de artistas brasileiros, têm espaço no Portal. Quem tem prioridade ?

Solange Castro - Certamente - nossa obrigação é divulgar a música brasileira, não importa em qual lugar do Planeta ela esteja sendo produzida...

Tânia Gabrielli-Pohlmann - Tem muito brasileiro, aqui, que reclama de meus programas, porque não toco "música de massa". Como você vê, hoje, a programação das rádios brasileiras?

Solange Castro -Não posso falar dos outros Estados, pois esse Brasil é muito grande e temos milhares de rádios, mas, falando das do Rio de Janeiro, deixam muito a desejar - temos a JB FM, a Globo FM, a Paradiso, a Rádio MEC e a Antena Um - só... Essas têm programação interessante. A MPB FM que era ótima, entrou na linha "jabá' e repete tantas vezes determinadas músicas que chega a dar enjoo... Fora essas, não aconselho nenhuma...

Tânia Gabrielli-Pohlmann - Tem como acabar com o jabá?

Solange Castro - Tem que ter - se está na Lei de Radiodifusão do Brasil que somente 25% do tempo de execução são permitidos para anúncios, se tocam músicas com horários pagos é porque estão 'fora da lei' o que é 'fora da lei"é crime - se é crime tem que acabar...

Tânia Gabrielli-Pohlmann - A seu ver, Solange, qual é o papel social do artista, especialmente do artista brasileiro?

Solange Castro - Retratar a sociedade, o cotidiano, as tendências, etc. "Identidade"! Nesse caso, claro, estou falando do “autor”, mais que do "intérprete"...

Tânia Gabrielli-Pohlmann - Você tem uma imensa paixão por nossa cultura, por nosso país e, claro, por nossa música. Tem sentido não ter orgulho de ser brasileira?

Solange Castro - Para mim, Tânia, JAMAIS! Eu amo o Brasil, tenho orgulho de ser brasileira, amo meu povo, nossa cultura, nossa arte, nossa a terra, nossos mares, rios, matas, frutos, flores, tudo... Sim, tem um monte de cretino e corrupto, mas isso vamos encontrar nos quatro cantos do Planeta. Tenho que admirar um povo que trabalha, luta pelo seu dia-a-dia, é generoso, bem-humorado, hospitaleiro, inteligente e muito, mas muuuuuuuuuuuuito musical - rs..

Tânia Gabrielli-Pohlmann - Valeu, Solange. E muito mais sucesso!!! Esta entrevista será vertida para o alemão e será publicada no Boletim A Casa dos Taurinos, que será publicado, também, em portal suíço, no qual mantenho rubrica. Uma honra estar divulgando o seu trabalho!

Solange Castro - Tânia, com disse no início, a honra é minha – você sabe o quanto admiro seu trabalho, sem contar essa nossa identidade de "amor ao Brasil e ao nosso povo"... Sendo assim, divulgar nossa arte maior juntas é sempre muito bom...

Contatos com Solange Castro: solange@alomusica.com.br

Alô Música: www.alomusica.com.br

Tânia Gabrielli-Pohlmann é escritora, editora e professora. Nascida em São Paulo, capital, vive em Osnabrück, Alemanha, desde dezembro de 1999, onde apresenta dois programas de rádio (Brasil com S e Revista Viva, este com Clemens Maria Pohlmann) sobre a história, a cultura, a literatura e a música brasileira, abrindo espaço, inclusive, a artistas independentes. Contato com Tânia: : a-casa-dos-taurinos@osnanet.de

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